sexta-feira, 15 de junho de 2012






"– Declaras a mim o teu amor!?
Por assim agires
Não terás de mim
Sequer, aquilo
Ao qual, aqueles
Que me desprezam
Rejeitam!"

"– À ti, não dispensarei
Nem mesmo
A hipócrita piedade
Que me dedicam
Aqueles que me fazem rastejar!"

Humberto Santos

quinta-feira, 14 de junho de 2012





Hoje, sou o ontem
Amanhã não haverá!

As garras que cravastes em minha carne
Reavivam adormecidas chagas!

Já não há sangue à sangrar
Já não há dor à doer!

Há quem possua o controle?
Quem comanda essa nau?
Foi o rumo, por alguém preestabelecido?
Como escapar ao redemoinho, que a tudo traga?

Não há mais lágrimas à serem vertidas
Somente sal recobrem minhas retinas
O pranto é mais doloroso do que o padecer que o emula!


Humberto Santos

quarta-feira, 13 de junho de 2012





No calor do Laos...

nossos corpos em caos.

Um "tour"
no âmago da "jour".

Desejavas falar
desejava te devorar.

Te toquei ao corpo
tu a minha alma.

Fim da tarde
andávamos pela rua.

Só nós, em meio a multidão
na rua, só estávamos nós...

Humberto Santos


Depois que terminou
Por muito tempo
A impressão de haver falhado, me dominou...

De longe, te observei
Alegre, festiva, com a escória da humanidade
Cheguei a crer
Que possuía menos valor do que os lixos humanos
Aos quais declaras ardorosa devoção!

Hoje, sei que te ofereci o melhor que um homem
Pode à uma mulher ofertar!
Hoje compreendo que não falhei ao te amar!

Aconteceu que:
Necessitas, exiges, que te tratem como à um objeto descartável
E disso...
Felizmente, sou incapaz!

Humberto Santos

terça-feira, 12 de junho de 2012



Em meio ao breu noturno, luzem...
A brasa de meu cigarro
Os vagalumes
As estrelas
A lua minguante
A lembrança do brilho dos olhos teus...

Humberto Santos



Amanhã
Acordarei sem teu sorriso
Não ouvirei a tua voz
Minha pele não estará impregnada com teu olor!

Amanhã
Sentirei falta de teu calor
Minhas mãos, não mais acolherão as tuas
Teu rosto, será uma lembrança querida!

Hoje
Por tua presença, minha alma reclama ferida!

Humberto Santos

segunda-feira, 11 de junho de 2012




Novamente ceder a ilusão de não desejar-te
Ignorar ao calafrio que me percorre a coluna, quando te viso
Novamente controlar ao impulso de aninhar-te em meus braços
De acariciar teu rosto
De percorrer com os dedos, os contornos de tua face
Dos teus olhos
Contemplar tua boca, movendo-se ao falar
Contraindo-se, dilatando-se
Enfeitiçando-me
Deslizar minha mão por tua cabeça
Por entre teus cabelos, fios de seda
Tornando a encontrar tua pele
Sinto a tenra maciez da tua nuca
Morna, aroma e sabor únicos
Sinto os minúsculos pelos, eriçando-se ao contato
Tua cabeça reclinando-se, quase que inconscientemente.

Que pensamentos te percorrem 
à mente?
Quais desejos te afloram à imaginação?

Humberto Santos

domingo, 10 de junho de 2012






O conceito do poema, sempre surge pleno, luminoso
Ao cinzelá-lo, vai-se reduzindo-o, matando sua essência, ao enquadrá-lo ao palatável
Ao final, sobra a carcaça sem vida própria...

Humberto Santos