sábado, 2 de junho de 2012




Tais e quais lágrimas amarelas
Lança ao chão, suas flores, o Ipê...


Indiferente, pisa-as
Como se fossem
Corações amarelecidos pelo desprezo...

Humberto Santos



Fui o mar
Fui a garrafa, a ele lançada
E também, a mensagem nela contida!

Entretanto, 

Estavas demasiadamente entretida
Em venais passatempos
E não me recolhestes
Sequer em minha direção
Estendeste a mão!

E pela derradeira vez
O ciclo das marés
Afastou-me de ti!

Humberto Santos

sexta-feira, 1 de junho de 2012





O tirante do meu alforje,
De tão puído, rompeu-se
Espalhando ao chão
Minhas relíquias, meus sonhos, minhas memórias...

Ao vento, lançaram-se as levezas
Rodopiando, tais folhas secas
Como beija-flores, pairando no ar
Acenando-me adeus...


Humberto Santos

quinta-feira, 31 de maio de 2012





De madeira pintada de branco

Foi teu primeiro e único berço
Invólucro de mim mesmo em miniatura!

Esquife de inestimável tesouro
Em fétida carneira depositado
Cova habitada por todas as ordens de insetos e vermes!

Orgãos inertes
Pulmões que não sorveram ao ar
Olhos que não enxergaram
Perfeição inútil, imperfeita!

Ordem invertida
O translado, foi o tempo em que te tive aos braços
Havias de carregar-me...
Teu par e poucos de peso
Fizeram-me suar, feriram-me aos músculos, nervos, a carne e a alma!

Dei-te adeus antes de bem-vindo
Antes de haver-te por inteiro conhecido!

Vida esvaziada
Alegria podada
Sonho interrompido
Esperança nati-morta!

Humberto Santos

quarta-feira, 30 de maio de 2012


O peso do mundo é a solidão
Enlouqueci, buscando preencher o vazio que sou
Muito lutei e nada sou
Casca oca, preenchendo espaços
Mas, nada contendo
Ocupando lugares
Mas, nada representando!

Escoaram-se os sentimentos
Assim como os sonhos e os desejos
Tornei-me algo suportável, porém, indesejável
Promessa não cumprida
Peso tolerável, porém, descartável!

Estou só...
E o peso do mundo recai sobre minh'alma!

Humberto Santos