domingo, 8 de abril de 2012




Eis-me desperto
Porém, sem domínio dos sentidos!

Observando a Harpia
Envolta em sua negra mortalha
Sentada à mesa
Sorridente!

Mesa na qual, há pouco
Compartilhávamos a ceia!

Em uma bandeja, repousa meu coração
Agora inerte, após ter sido vertida à taça
A derradeira gota, do líquido vital!

Taça por ela erguida, alegre e triunfalmente!
Invocando assim à horda
De decrépitos anciões, bêbados, pervertidos e ególatras
Seus pares...
Clamando um brinde:
"– Ao nosso 'amor' e à nossa alegria!!"
Dando assim, por iniciado
O macabro festim
Executado em salão de marmóreo piso
No qual, minha alma
Jaz estendida à guisa de tapeçaria!

Humberto Santos