terça-feira, 15 de maio de 2012



Em meio a mata, ao pé de um frondoso Ipê-amarelo, reuniram-se os deuses, em hedônico festim.
Pan marcava com sua melódica flauta a dança das musas, para deleite de Apolo, faunos acercavam-se das ninfas que em um sensual folguedo, fugiam e escondiam-se, para depois entregarem-se incontinentes...
As bacantes encarregavam-se de manter as taças transbordantes, com o mais inebriante dos vinhos, Hebe servia o n
éctar...
Afrodite, Psiquê, Artêmis, Minerva, Vênus, e outras deusas, conversavam 
à beira do lago, Vênus, moldando o barro, buscava materializar seu ideal de beleza e sensualidade...
Juntaram-se ao passatempo as outras, e na euforia, chamaram a atenção dos demais, que não tardaram a unirem-se ao grupo... Cada qual, concedeu à imagem, aquilo que de melhor dominava, Afrodite, moldou as pernas e roliças coxas, os quadris, a barriga, os gêmeos seios, os delicados braços e mãos...Vênus, encarregou-se de moldar o ventre, com seu convexo desenho... as nádegas harmoniosamente encaixadas às coxas e torso... dedicou, especial precisão aos mamilos, par de joias encimando montes siâmeses... Ao pescoço, deu forma alongada, acentuando o ar majestoso do conjunto... Eros, moldou aos lábios, sensuais, carnudos, a face, as orelhas, os ombros, as mãos... nos olhos, injetou a poção que usa em suas setas... Aracne, fiou seda inigual
ável, com a qual Minerva e as graças teceram divinal veste, com a qual cobriram a extensão do corpo da imagem. Vulcano, forjou com ouro sapatos brocados. Morfeu, de seus domínios, mandou trazerem finos fios e moldar a cabeleira...

Estavam todos exultantes, maravilhados ante a vivacidade, da suavidade dos contornos, da beleza da composição, da harmonia com que os membros se dispunham...

Nesse instante, Zeus, que havia mantido-se recostado ao Ipê, achegou-se a fim de ver do que se ocupavam os demais, ao mirar tal escultura, foi tomado por um sentimento de embevecimento, então, juntando um punhado de barro, moldou um coração, ao qual, Eros, banhou com sua poção, Prometeus, aqueceu-o com o Ol
ímpico fogo, Pandora, retirou de sua caixa a restante esperança, assim, depois de cada um haver depositado algo dentro do coração, Zeus o instalou no peito da criação, que tornando-se viva, foi por ele batizada de: "Ser feito de luz".

Humberto Santos