quinta-feira, 31 de maio de 2012





De madeira pintada de branco

Foi teu primeiro e único berço
Invólucro de mim mesmo em miniatura!

Esquife de inestimável tesouro
Em fétida carneira depositado
Cova habitada por todas as ordens de insetos e vermes!

Orgãos inertes
Pulmões que não sorveram ao ar
Olhos que não enxergaram
Perfeição inútil, imperfeita!

Ordem invertida
O translado, foi o tempo em que te tive aos braços
Havias de carregar-me...
Teu par e poucos de peso
Fizeram-me suar, feriram-me aos músculos, nervos, a carne e a alma!

Dei-te adeus antes de bem-vindo
Antes de haver-te por inteiro conhecido!

Vida esvaziada
Alegria podada
Sonho interrompido
Esperança nati-morta!

Humberto Santos