quarta-feira, 7 de novembro de 2012




Flutuei pelo céu
A brisa lançava em minha face
Teu olor.

Naveguei por rubros mares
Vermelhos-sangue
Sangue que pulsa em minhas artérias.

Em busca da mansa enseada
Que não 
é outro sítio
Senão, teu corpo...

Humberto Santos

domingo, 4 de novembro de 2012





És minha droga
Se não te tenho
Caio em crise de abstinência
Não consigo me concentrar 
Ou em outra coisa pensar
Exceto
Em contigo estar!

Para que essa dor em meu peito cesse
Preciso, das doses de teu sorriso
Preciso, aspirar ao teu olor
Necessito, que injetes em mim, o teu olhar!

Anseio por uma overdose de ti!

Humberto Santos

sexta-feira, 19 de outubro de 2012





Não acredito em felicidade
Busco, t
ão somente, ignorar a infelicidade.

Humberto Santos

sábado, 18 de agosto de 2012




Ao solo em que repousava a árvore de nosso amor
Verteste o pérfido veneno da mentira
Hoje, ao chão, jazem os frutos, pútridos
Amanhã, após a horda de vermes e insetos haverem finalizado seu macabro banquete
Restarão as sementes
As quais levarei junto ao peito, em busca de solo fértil
No qual as depositarei, e hei de ver brotarem delas novas árvores
Cujo frutos, haverá quem os saiba apreciar
Encontrarei enfim, aquela que saiba com Eros conviver, não aquela que se orgulhe de ser por 
Sátiro usada
Aquela, que distingua, hedonismo de hedionismo, leveza de leviandade...
Aquela, que prefira o fruto maduro ao apodrecido...
Aquela, que me respeitará, antes de mais nada, pelo fato de que por si própria nutre respeito!
Aquela, que chegada, seja bem-vinda!
Que minha alma, seja tua morada, teu abrigo e alimento.


Humberto Santos

quarta-feira, 18 de julho de 2012




Majestosa sereia
Adejantes madeixas pendem sobre tua reluzente face
Acentuando ao brônzeo tom da tua sedosa pele.

Altiva sirena
Anseio ser hipnotizado pelo encantador soar da tua voz!

Soberana nereida
Se a areia eu fosse, que prazer seria, sentir teu corpo, sensualmente sobre mim repousado!

Divinal ninfa
Tua essência me inflama, tal e qual o Sol, que irradia seu calor, por sobre teu corpo
Aquecendo-te, levando-te a um lânguido relaxamento, físico e mental!

Em meus devaneios, desejo ser o vento, a circundar-te, brincando em teus cabelos
Soprar suavemente os pelos da tua nuca, fazendo assim, percorrer por todo o teu corpo, um intenso, eletrizante calafrio!
Anseio, também, ser o mar
Ver-te caminhar, soberanamente em minha direção, adentrar ao meu ser, sem pedir ou vacilar
Permitindo que eu vá aos poucos, envolvendo ao teu corpo, tocando simultâneamente cada milímetro da tua pele, do teu ser, por mim jubilosamente acolhido.

Deixo em teus lábios, meu sal, ao qual, com a ponta da língua, recolhes!
Sei que de noite, muito depois de haveres me deixado
Meu calor, ainda está em teu corpo
Meus murm
úrios, ainda ecoam em teus ouvidos
Meu gosto, ainda habita tua boca!

E assim
Mesmo distante
Estou contigo
Estou em ti!

Humberto Santos

terça-feira, 3 de julho de 2012




Hei de esquecer-te
Assim como o adulto
Abandona o onirismo de criança para com o brinquedo, e
Apega-se a venalidade dos objetos que possui...
Como quem mal-usa, o termo liberdade
Para não se dar à ninguém...
Tal aqueles que desconhecem que ódio não é antagônico ao amor...

Esquecer-te-ei, de forma similar ao combatente, 

Que extenuado
Se deixa abater...

Olvidar-te-ei
Quando de mim
Já não puder saber quem sou...

Humberto Santos

domingo, 1 de julho de 2012



Há dores
Que transpõem a alma
Entranham-se na carne...


Então
É necessário que tamb
é
Ela,  deixe de sentir...

Humberto Santos

segunda-feira, 25 de junho de 2012






De onde nasce o poema
Senão das conversas ocasionais
De frases soltas
De ânsias (in)contidas.

De onde nasce o poema
Senão da inutilidade dos braços do amante
Sem a física presença da amada.

De onde nasce o poema
Senão da vívida lembrança
Do calor, do sabor, do aroma
Do corpo desejado.

De onde nasce o poema
Senão do desejo de expressar ao mundo
Esse sentimento, puro e intenso
Que a palavra amor
Não consegue comportar!


Nasce o poema 

Da mesma fonte que origina a cumplicidade do olhar dos amantes e o silêncio que tudo discursa!

Nasce o poema 

Do desejo longínquo por alguém que te toca sem te abraçar!

Nasce o poema 

Dos beijos oferecidos à distância e doloridos pois seus sabores ainda não foram descobertos!

Nasce o poema 

Com o sentimentalismo ardente dos amantes furiosos e sedentos de paixão...

Nasce o poema 

De mim...para ti...
De nós, para o todo!

Humberto Santos/L. G. R.

domingo, 24 de junho de 2012





Diáfana brisa
Trouxe-me a nítida impressão
De tua presença...

Busquei visar-te ao derredor
Decepção...
Não estás...
Mas tua presença é vívida...

Baixo aos olhos
Vislumbro depostas ao chão
As flores de um ipê-amarelo...

O ar, impregnado de sua, da tua, essência
Néctar balsâmico
Ambrosia
Por um átimo, alcancei novamente a plenitude
Por um átimo, estivestes comigo novamente.

Humberto S. Santos


Plena, perfeita
Personificação do conceito de doçura
Nos olhos, seriedade de menina brava
Na pele, candura de mulher sensual
Coroada pelos deuses com sedosos fios à guisa de cabelos!

Indecifrável sorriso
"Como encontrar a chave desse teu riso sério?!"
O que te passa à mente, enquanto me fitas com esse olhar, que parece esconder a todo um universo?

Teus lábios, delineados com o mais finos e precisos traços
Inquieta e tenra língua
A que indescritíveis sensações tua boca me induz!

Pernas roliças
Colunas revestidas com o mais macio veludo
Pilares gêmeos, guardando o divino templo
Morada de Vênus
Fonte de inigualáveis prazeres, reserva de infinita sensualidade
Carnal materialização do mito, que me inflama a libído
Coxas torneadas pela deusa do erotismo, em sua junção está meu Éden
No qual finda a extasiante busca
Anseio repousar a cabeça.

Deixai-me adormecer, sentindo à face o calor exalado pelo teu fogo interior
Ressonar, inebriado pelo almiscarado aroma único, que teus poros dispendem
Sentindo à boca, o sabor da divinal ambrosia que em ti saboreio!

Humberto Santos

sábado, 23 de junho de 2012



Quero ao teu lado deitar-me
Em teu peito, minha cabeça repousar
Adormecer, ninado ao som do teu coração
Embalado pelo suave movimento do teu respirar
Desfrutar do repouso, enfim encontrado
Após uma vida de buscas!

Anseio agora
Ao teu lado despertar
Meus olhos, nos teus
Minha boca, na tua
Meu corpo, no teu
Minh'alma...
Tua!

Humberto Santos

sexta-feira, 22 de junho de 2012






Daquilo o que fomos, o que hoje ainda há?
Somos quem pretendíamos ser?
Fomos quem imaginávamos ser?
Ainda somos capazes de sonhar?
Nossos sorrisos, ainda são francos, ou são hoje sardônicos?
Ainda cultivamos esperanças?
Ou a ânsia, a agonia, é que nos domina ao espirito?
Somos ainda capazes de ter compaixão?
Ou... nem isso mais?

Humberto Santos

quinta-feira, 21 de junho de 2012






Sob onírico torpor, encontrei-me em desconhecida paragem
Vestal figura, acolheu-me em seus delicados braços, cobrindo-me de carícias mil!
Dominado por um embriagante furor, senti-me conduzido às alturas!
Sendo lá, suavemente aninhado em etérea nuvem, à guisa de leito!
A cada intento em corresponder às carícias proporcionadas, interpunha-se seu suave murmúrio, advertindo-me à apenas sentir e saborear.

Sem por um instante sequer, desviar dos meus, seus radiantes olhos, montou-se à mim, tal selvagem amazona à galopar!
Extático, pus-me a admirar sua delicada silhueta em ritmado e sensual oscilar!
Não há palavras que possam descrever a sensação que seu corpo, quente, macio, a me envolver, a me revolver, imprimiu em meus sentidos!
Não mais suportando a imobilidade à qual estava submetido, tomei de suas mãos as rédeas de nosso lúbrico passatempo!
Papéis invertidos
Agora cavaleiro, retribuí àquele ser mágico, seus toques, beijos e carícias, com renovado vigor!
Meus lábios, beijaram a mais perfeita flor
Minha língua, saturou-se com o mais saboroso néctar!
Inebriado por tal bálsamo, atendi a sua indicação 
Adentrando à divinal senda...
Por toda a jornada, sua angelical voz me estimulou e orientou!

Ao final, compreendi que, o ápice da vitória, consiste em render-se incondicionalmente!
Ao contemplar seus olhos, brilhando, seu sereno sorriso enigmático, seu rosto luzente...
Reconheci a face de Afrodite
Que por meio de sua forma humana
Havia me conduzido ao âmago do Paraíso!

Humberto Santos

quarta-feira, 20 de junho de 2012






Te procuro em diferentes formas
Te encontro em diferentes formas!

Te amo de diferentes formas
Te odeio de diferentes formas!

Te tive e te perdi, de diferentes formas!

Humberto Santos

terça-feira, 19 de junho de 2012




Agora!
Depois que te foste
No negro abismo que restou!

Ressurge tua face, de alva tez
Teus lábios de vivo tom carmesim
Dos quais oscila uma minúscula gota
De rubro sangue
Derradeiro resquício daquilo que foi a minha vida!

Do que fui
Somente restou
Essa oca carapaça
Marionete manipulada
Por acaso
Pelo acaso!

Humberto Santos

segunda-feira, 18 de junho de 2012




Em um espelho
Há mais do que simples reflexo
Há mais do que mera contemplação narcisista!

Em um espelho
Há as cicatrizes de decepções vividas
Mas, há o brilho de sorrisos vivenciados!

Em um espelho
Há as marcas das feridas mal-cicatrizadas
E há também, alegrias compartilhadas!

Em um espelho
Há diversos "eu", que foram, também os que nunca chegaram a ser
Há o que é, também os que não são
Há os que serão, também os que nunca serão.

Em um espelho
Estou eu...
E todas as pessoas que tocaram minh'alma!

Humberto Santos

domingo, 17 de junho de 2012




Junto à ti, conheci o Éden
Depois, adentrei ao inferno da solidão
Insensível destino
Conceder-me o inestimável prazer de sentir teu sabor
Para em seguida, privar-me de sequer visar-te
Mesmo a certeza de que, novamente estarás aninhada em meus braços
Que nossos lábios, voltarão a unirem-se em infindáveis beijos
Que nossos corpos, se fundirão em sensuais caricias...
Mesmo essas certezas
Não minoram o pesar que tua ausência me inflige!
Quando ao telefone, soa a tua voz
Torna-se concreta a cruel distância, que te separa de mim!

Então, só me resta fechar os olhos e imaginar
Estar junto à ti, minha cabeça, no teu colo repousada
Sentindo ao ameno balouçar da tua respiração
O intenso calor da tua carne
O doce olor da tua pele!

Meu sonho!
Minha realidade!

Humberto Santos




Não há erro em buscar ser feliz!

Não há pecado em gozar a vida!
Porque nos mutilar, em beneficio de terceiros?
Os quais, só nos dedicam indiferença e desprezo!
Isso jamais pode ser confundido com amor!
Não será, matando aos sentimentos, em prol de outrem, que afirmaremos nosso poder de amar!
Será a vida, somente uma cruz, na qual estamos atados?...
Espiando, em barganha, visando uma póstuma redenção?
Ao avaliarmos nossa existência, o que haverá restado?
Somente dificuldades que enfrentamos e felicidades que proporcionamos?
Não há amor unilateral
Não existe amor solitário!
Para florescer e evoluir, o amor há de ser compartilhado
Do contrário, se transformará em dor e angústia!
É necessário aceitar ao amor que é oferecido com sinceridade, e permitir que a alma reflita ao ente amado esse sentimento
Somente assim, pode-se dizer:
"Amo e sou amado".

Humberto Santos

sexta-feira, 15 de junho de 2012






"– Declaras a mim o teu amor!?
Por assim agires
Não terás de mim
Sequer, aquilo
Ao qual, aqueles
Que me desprezam
Rejeitam!"

"– À ti, não dispensarei
Nem mesmo
A hipócrita piedade
Que me dedicam
Aqueles que me fazem rastejar!"

Humberto Santos

quinta-feira, 14 de junho de 2012





Hoje, sou o ontem
Amanhã não haverá!

As garras que cravastes em minha carne
Reavivam adormecidas chagas!

Já não há sangue à sangrar
Já não há dor à doer!

Há quem possua o controle?
Quem comanda essa nau?
Foi o rumo, por alguém preestabelecido?
Como escapar ao redemoinho, que a tudo traga?

Não há mais lágrimas à serem vertidas
Somente sal recobrem minhas retinas
O pranto é mais doloroso do que o padecer que o emula!


Humberto Santos

quarta-feira, 13 de junho de 2012






No calor do Laos...
nossos corpos em caos.

Um "tour"
no âmago da "jour".

Desejavas falar
desejava te devorar.

Te toquei ao corpo
tu a minha alma.

Fim da tarde
andávamos pela rua.

Só nós, em meio a multidão
na rua, só estávamos nós...

Humberto Santos


Depois que terminou
Por muito tempo
A impressão de haver falhado, me dominou...

De longe, te observei
Alegre, festiva, com a escória da humanidade
Cheguei a crer
Que possuía menos valor do que os lixos humanos
Aos quais declaras ardorosa devoção!

Hoje, sei que te ofereci o melhor que um homem
Pode à uma mulher ofertar!
Hoje compreendo que não falhei ao te amar!

Aconteceu que:
Necessitas, exiges, que te tratem como à um objeto descartável
E disso...
Felizmente, sou incapaz!

Humberto Santos

terça-feira, 12 de junho de 2012



Em meio ao breu noturno, luzem...
A brasa de meu cigarro
Os vagalumes
As estrelas
A lua minguante
A lembrança do brilho dos olhos teus...

Humberto Santos



Amanhã
Acordarei sem teu sorriso
Não ouvirei a tua voz
Minha pele não estará impregnada com teu olor!

Amanhã
Sentirei falta de teu calor
Minhas mãos, não mais acolherão as tuas
Teu rosto, será uma lembrança querida!

Hoje
Por tua presença, minha alma reclama ferida!

Humberto Santos

segunda-feira, 11 de junho de 2012




Novamente ceder a ilusão de não desejar-te
Ignorar ao calafrio que me percorre a coluna, quando te viso
Novamente controlar ao impulso de aninhar-te em meus braços
De acariciar teu rosto
De percorrer com os dedos, os contornos de tua face
Dos teus olhos
Contemplar tua boca, movendo-se ao falar
Contraindo-se, dilatando-se
Enfeitiçando-me
Deslizar minha mão por tua cabeça
Por entre teus cabelos, fios de seda
Tornando a encontrar tua pele
Sinto a tenra maciez da tua nuca
Morna, aroma e sabor únicos
Sinto os minúsculos pelos, eriçando-se ao contato
Tua cabeça reclinando-se, quase que inconscientemente.

Que pensamentos te percorrem 
à mente?
Quais desejos te afloram à imaginação?

Humberto Santos

domingo, 10 de junho de 2012






O conceito do poema, sempre surge pleno, luminoso
Ao cinzelá-lo, vai-se reduzindo-o, matando sua essência, ao enquadrá-lo ao palatável
Ao final, sobra a carcaça sem vida própria...

Humberto Santos

sábado, 9 de junho de 2012





Noite insone...
Desejo de descrever o amor...
Pouso sobre a alva folha, a caneta...

Assomam-me a lembrança
Camões e Poetas de igual valor
O que haveria eu de acrescentar?

Escrevo teu nome
Aguardo por ti!

Convido-te a compartilhar do amor
Contido no silêncio das palavras
Não escritas!

Humberto Santos

sexta-feira, 8 de junho de 2012





Ontem!
Espiei por sobre a muralha
Do outro lado, vislumbrei as delícias do reino de Eros!
A fachada, aparentemente intransponível, desfez-se
Pelas frestas dos teus olhos, pude contemplar ao paraíso do qual és recipiente!

Ontem!
A sólida amurada ruiu
Permitindo-me finalmente alcançar-te
Ao provar teus lábios, os meus saborearam a olímpica ambrosia
Em tuas pupilas, enxerguei o lume da felicidade
No teu corpo, senti o calor da chama reavivada!

Ontem!
Teus beijos e carícias, fizeram sumir a todo o Universo
Naquele instante, nada mais havia
Além de dois entes que se contemplam, que se completam!

Ontem!
Encontrei a mulher, despida e desarmada de medos e anseios
E com ela, comecei a decifrar o sentido da palavra amor!

Humberto Santos

quinta-feira, 7 de junho de 2012




Se fores e tiveres alguém que seja: Cúmplice, podes formar uma quadrilha, uma gangue, um bando...
Se fores e tiveres alguém que seja: Companheiro, podes formar um sindicato, um partido político...
Se fores e tiveres alguém que seja: Digno, Sincero, Amoroso, podes formar um Casal!

Humberto Santos


Quisera eu ter os versos que Camões rejeitou
As quadras que Pessoa não levou adiante
Que no meu jardim, Florbela florescesse
Que a urgência de Maiakovski pulsasse em minhas veias...

Assim então, escreveria um poema
E entenderias o valor das palavras...
"Amor", seria para ti um tesouro!


Humberto Santos

quarta-feira, 6 de junho de 2012






O que nos traz saudades da infância, é o fato de que naquela época não
tínhamos consciência de nossa infelicidade, acreditávamos ser felizes.
Hoje, quando nos negamos aos sentimentos sinceros, para continuar a
interpretar o personagem que montamos, temos saudade do tempo em que os aceitávamos... e nos sentíamos Plenos!
Nos negamos a compreender que a felicidade, não está no passado nem no futuro, está no instante em que nos permitimos ser felizes. No momento em que dizemos SIM, para quem nos ama e respeita, e NÃO, para quem somente se aproxima por interesses ocasionais.

Humberto Santos

terça-feira, 5 de junho de 2012



Em um saco de tecido puído, que de ilusões está abarrotado
Jogo meu amor, que de nada me serviu
Peso inócuo carregado
Que antítese de si próprio
Quanto mais intenso, mais dor fez germinar...
Por não saber esconder sua essência, torna-se amedrontador...
Por se mostrar, desnuda...

Jogo-o na corrente água de um rio...
Para que no turbilhão se afogue, com as esperanças e ilusões...
Para que meu coração cicatrize...
Para que não mais temas...

No embrulho que a correnteza leva
Vai-se a ilusão, de que ser sincero bastaria...
Vai-se a ilusão, de ser o bastante...
Vai-se a ilusão, de poder viver sem ilusões...

Humberto Santos

segunda-feira, 4 de junho de 2012






Sempre imaginei
Meu partir, tal uma tempestade...

Hoje, o sei
Como uma brisa, que tocou-te ao rosto, aos cabelos, roçou-te os lábios, e foi-se...
Sem se fazer notar, sem guardar em ti, impressões...

Humberto Santos

domingo, 3 de junho de 2012




...então, se algo lembrarem de mim amanhã, será como aquele que amou, e teve a glória de ter tido a mulher a quem amou, incondicionalmente, aquela que o fez realmente Pleno, na medida humana e na imensurável medida do amor.

Humberto Santos

sábado, 2 de junho de 2012




Tais e quais lágrimas amarelas
Lança ao chão, suas flores, o Ipê...


Indiferente, pisa-as
Como se fossem
Corações amarelecidos pelo desprezo...

Humberto Santos



Fui o mar
Fui a garrafa, a ele lançada
E também, a mensagem nela contida!

Entretanto, 

Estavas demasiadamente entretida
Em venais passatempos
E não me recolhestes
Sequer em minha direção
Estendeste a mão!

E pela derradeira vez
O ciclo das marés
Afastou-me de ti!

Humberto Santos

sexta-feira, 1 de junho de 2012





O tirante do meu alforje,
De tão puído, rompeu-se
Espalhando ao chão
Minhas relíquias, meus sonhos, minhas memórias...

Ao vento, lançaram-se as levezas
Rodopiando, tais folhas secas
Como beija-flores, pairando no ar
Acenando-me adeus...


Humberto Santos

quinta-feira, 31 de maio de 2012





De madeira pintada de branco

Foi teu primeiro e único berço
Invólucro de mim mesmo em miniatura!

Esquife de inestimável tesouro
Em fétida carneira depositado
Cova habitada por todas as ordens de insetos e vermes!

Orgãos inertes
Pulmões que não sorveram ao ar
Olhos que não enxergaram
Perfeição inútil, imperfeita!

Ordem invertida
O translado, foi o tempo em que te tive aos braços
Havias de carregar-me...
Teu par e poucos de peso
Fizeram-me suar, feriram-me aos músculos, nervos, a carne e a alma!

Dei-te adeus antes de bem-vindo
Antes de haver-te por inteiro conhecido!

Vida esvaziada
Alegria podada
Sonho interrompido
Esperança nati-morta!

Humberto Santos

quarta-feira, 30 de maio de 2012


O peso do mundo é a solidão
Enlouqueci, buscando preencher o vazio que sou
Muito lutei e nada sou
Casca oca, preenchendo espaços
Mas, nada contendo
Ocupando lugares
Mas, nada representando!

Escoaram-se os sentimentos
Assim como os sonhos e os desejos
Tornei-me algo suportável, porém, indesejável
Promessa não cumprida
Peso tolerável, porém, descartável!

Estou só...
E o peso do mundo recai sobre minh'alma!

Humberto Santos

sábado, 26 de maio de 2012






Thanatos venceu Eros em minh'alma!
Agora definha meu corpo
Até o corpo sumir

Até o meu corpo sumir.


Em breve nada mais do que pó serei...
E restarei em uma vaga lembrança
Que depois será levada ao primeiro lufar
Da mais tênue brisa.

Humberto Santos




Nem sempre, ao insistirmos em algum questionamento, desconhecemos a resposta...

Algumas vezes, é a forma que encontramos para permitir que outros parem de afirmar mentiras.

Humberto Santos



Solidão, somente significa liberdade
Quando serve para que tenhamos um tempo para a reflexão, sem as interferências externas.

Quando porém, somos à ela forçados, por nossas ações ou inações
Quando por temermos que, ao compartilharmos nossa vida, percamos nossa individualidade.
Quando a essência é tão fragilmente estruturada, que rui, ou se acaba ao ser exposta, e a solidão torna-se um refúgio, uma zona de conforto...
Então a solidão, nada mais é do que um veneno, que nos vai matando à alma lentamente.
Nada mais é do que uma grade, uma jaula, que impede que a felicidade, a plenitude, nos alcance.

Humberto Santos

sexta-feira, 25 de maio de 2012





Vivemos em tempos
Em que amar e esperar ser retribuído, é o estranho
Aos que afeto dedicam
Desprezo e indiferença, são as recompensas!

Nesses tempos, adorar ao ser amado
É um erro imperdoável!

Quando por amar, nos chamam de loucos
Quando o nome do ente amado em um poema, é considerado ofensivo
Só nos resta desacreditar do amor!

Ao atingir o àpice da degradação
Só resta ao indivíduo
Libertar sua alma!

Humberto Santos

quinta-feira, 24 de maio de 2012






Alguns atos
Por conterem em si
Valor de fato
Cabem melhor no recato
Sem espalhafato.

Humberto Santos

quarta-feira, 23 de maio de 2012




Saudade...
Do teu cheiro
Do teu sabor, na minha língua
Dos teus braços, em volta de meu pescoço
Dos teus lábios, nos meus
Do meu corpo no teu...


Saudade...
Do que nossas almas já viveram
Do que nossos corpos vão viver...

Humberto Santos